Nove vezes mais mortes do que as causadas por acidentes de automóveis em rodovias; 44 vezes mais óbitos do que aqueles provocados por engasgos; 35 vezes mais casos fatais do que os decorrentes de afogamentos em piscinas; 290 vezes mais quadros letais do que os associados a picadas de escorpião.Em apenas um ano, a dengue foi capaz de provocar uma tragédia humana, como provam os números da temporada de 2024, quando a doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti afetou mais de 6,5 milhões de brasileiros e esteve por trás de mais de 6 000 mortes.São esses dados e comparações chocantes que a farmacêutica Takeda decidiu empregar para chamar a atenção e sustentar sua nova campanha de combate à infecção e incentivo à vacinação.
A missão da iniciativa, que se estende dos canais digitais à TV aberta, é resgatar o senso de urgência da população em relação à dengue.Isso se torna ainda mais crítico quando se leva em conta que, com as mudanças climáticas e o fenômeno do Super El Niño, as previsões para 2027 são preocupantes.
Segundo as modelagens realizadas pela InfoDengue e a Fiocruz, cerca de 1,7 milhão de casos devem ocorrer no país no próximo ano - um número que, na verdade, poderá variar de 1 milhão até 5,6 milhões.A campanha do laboratório japonês, o único a ter uma vacina contra dengue aprovada e disponível no Brasil (Qdenga), mira justamente a falsa sensação de segurança da população e reforça a necessidade de uma prevenção conjugada, que contemple tanto o combate aos criadouros do mosquito como a imunização.
Com regime de duas doses, Qdenga é fornecida gratuitamente pelo SUS a crianças e adolescentes de 10 a 14 anos e, na rede privada, pode ser aplicada em pessoas de 4 a 60 anos.A seguir, a diretora médica da Takeda, Vivian Lee, e o diretor da Unidade de Negócios de Especialidades e Vacinas da empresa, Rodrigo Martins, detalham como anda a imunização no Brasil, o que se espera para a próxima temporada e o papel da nova campanha da farmacêutica.Poderiam fazer um balanço da vacinação com Qdenga no país?
Rodrigo Martins: A Takeda tem um compromisso de longo prazo com a saúde pública no Brasil e celebra o avanço histórico representado pela incorporação da vacina contra a dengue Qdenga no Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Sistema Único de Saúde para adolescentes de 10 a 14 anos, além da sua disponibilidade na rede privada para a faixa etária de 4 a 60 anos, conforme aprovado pela Anvisa.
Para mensurar a dimensão desse trabalho conjunto e o alcance da imunização até o momento, destacamos os principais marcos de distribuição e aplicação. Primeiro, o Brasil tornou-se o primeiro país do mundo a incorporar essa vacina na rede pública. O 1º contrato com o Ministério da Saúde (15,6 milhões de doses) foi 100% cumprido e entregue até o final de 2025.
Em junho de 2026, formalizamos o 2º contrato para a entrega de mais 18 milhões de doses no biênio 2026–2027, já registrando as primeiras 4 milhões de doses entregues em ritmo acelerado em julho. Assim, no acumulado de janeiro de 2024 a agosto de 2026, a Takeda atingiu o marco de mais de 21,7 milhões de doses distribuídas ao PNI.
Até setembro de 2026, o Brasil alcançou a marca de 12,6 milhões de doses efetivamente aplicadas na população, beneficiando mais de 8 milhões de brasileiros vacinados. No cenário internacional, a Takeda já ultrapassou a marca de 30 milhões de doses distribuídas mundialmente. O principal avanço do programa foi a estruturação da logística e a capilaridade da vacinação em escala nacional.
Até agosto de 2027, concluiremos a entrega total das 18 milhões de doses do contrato vigente, viabilizando um acumulado histórico de 33,6 milhões de doses de Qdenga fornecidas à população brasileira em parceria com o Governo Federal.Sabemos que imunizantes que dependem de mais de uma dose podem esbarrar em obstáculos de adesão da população.
Como lidam com essa questão? Rodrigo Martins: Há o desafio de saúde pública para garantir a conclusão do esquema vacinal de duas doses, assegurando a proteção máxima e sustentada contra os quatro sorotipos do vírus. Ao longo do histórico da campanha pública com a Qdenga no país, o Brasil registra uma taxa de adesão de 54% à segunda dose.
A importância de completar o esquema de é respaldada por evidências de vida real no Brasil: um estudo recente e independente liderado pelo infectologista Julio Croda, da Fiocruz e da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, realizado com mais de 166 000 testes em adolescentes em São Paulo, durante o pico epidêmico de 2024/2025, comprovou que a vacinação com duas doses da Qdenga alcança 87,9% de efetividade contra hospitalizações por den

