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O que o manguezal ensina às empresas sobre inteligência artificial - VEJA

O que o manguezal ensina às empresas sobre inteligência artificial  VEJA

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Fonte: VEJA

Esse talvez seja o título mais poético que já usei na coluna, e sei que para muita gente “manguezal” e “inteligência artificial” não têm muito em comum além da rima. Mas fica aqui comigo, vai fazer sentido.Entre 60% e 70% das empresas mais valiosas do mundo adotam estratégias de ecossistema para inovar, se diferenciar e competir em seus mercados, segundo um artigo da Deloitte Digital chamado Evolving Ecosystems.

Notou o manguezal se delinear no horizonte? A conexão é por aí, pelo caminho do ecossistema, como explica a pessoa que vi falar sobre essa analogia, Ana Carnaúba, líder de inovação da Deloitte, com quem conversei durante o evento o ITForum Praia do Forte. Foi em agosto, mas o papo reverberou na minha cabeça até virar texto, o que só rolou agora.(Aqui nessa coluna, como dizia Renato Russo, temos nosso próprio tempo.)Condensei aqui, a partir da fala de Ana, lições que o manguezal pode fornecer para empresas, especialmente no que diz respeito a IA.1.

Mais ferramentas não substituem diversidade de pessoasNum manguezal, a riqueza está na variedade de espécies e nas funções diferentes que elas desempenham. Ana usa a mesma lógica para contestar a ideia de que um profissional cercado de ferramentas de IA possa substituir sozinho uma equipe inteira.

Capacidades diferentes continuam importando, inclusive com foco em gerações variadas. “Eu preciso das pessoas mais seniores, que atravessaram outras situações, junto com os novos entrantes, que já raciocinam por outros caminhos.”2. Depender demais de uma big tech é um riscoUm ecossistema perde equilíbrio quando um de seus integrantes concentra poder demais.

Para empresas que estão incorporando IA, isso inclui olhar para a dependência criada em relação a fornecedores de tecnologia e plataformas das quais passam a depender processos importantes do negócio. “Digamos que a empresa tenha R$ 1 bilhão de faturamento, mas R$ 500 milhões vêm de um cliente só”, diz Ana. “Se esse cliente sai do jogo ou muda de provedor, como fica?” 3.

A adoção de IA exige conexão entre áreasNo manguezal, espécies diferentes dependem umas das outras para que o conjunto funcione. Dentro das empresas, a inteligência artificial também atravessa fronteiras: tecnologia cuida de parte do problema, enquanto áreas de pessoas e de negócio precisam decidir como funções, competências e tarefas serão reorganizadas. “Em algumas situações, a IA deixa de ser competência somente da tecnologia e passa a ser compartilhada com as áreas de pessoas.”4.

Não existe uma receita única para adotar IACada organismo no manguezal cumpre uma função diferente porque vive em condições próprias. Empresas também variam em velocidade, nível de automação, qualificação das equipes, clientes e objetivos, por isso Ana rejeita a ideia de um modelo universal para organizar e governar a inteligência artificial. “Não existe bom nem ruim que valha para todos”, afirma. “Existe a diversidade de cada empresa se adaptar melhor à sua realidade.”5.

Nem toda pergunta deve ser feita à máquinaUma das funções do manguezal é servir como filtro entre a terra e o mar, retendo sedimentos e até poluentes antes que avancem para as águas costeiras. A analogia cabe também na relação com a IA: antes de entregar uma pergunta à máquina, vale filtrar o que deveria chegar até ela.

Dados, pesquisa e informação são uma coisa; propósito, razões e escolhas fundamentais continuam cabendo às pessoas. “O que é dado, pesquisa e informação pode ser perguntado à máquina. O que é existencial e emocional continua sendo pergunta para o ser humano.”???????????????????????????????????????????????Alvaro Leme é doutorando e mestre em Ciências da Comunicação pela ECA-USP, jornalista e criador do podcast educativo Aprenda

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